ARGO

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10Uma dramatização da operação secreta conjunta da CIA-Canadá em 1980, para extrair seis refugiados americanos de um Irã revolucionário.

Para falar de ARGO, um excelente suspense quase documental, é preciso falar primeiro sobre seu diretor, Ben Affleck. Affleck surgiu no cinema em 1997, quando ao lado do amigo pessoal Matt Damon, ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original pelo filme GÊNIO INDOMÁVEL, dirigido por Gus Van Sant. Affleck imediatamente se tornou um dos queridinhos de Hollywood, tendo nos anos seguintes estrelado desde super-produções como ARMAGEDDOM e PEARL HARBOR, a filmes mais independentes, como suas colaborações com o diretor Kevin Smith, em PROCURA-SE AMY e DOGMA. Apesar do status de galã, Affleck nunca convenceu a crítica de seu talento como ator, e uma péssima escolha do ator, em 2003, quase que praticamente acabou com sua carreira. A péssima escolha foi sua decisão em atuar e produzir a gigantesca bomba GIGLI: CONTRATO DE RISCO. Na época, Affleck e a curvilínea Jennifer Lopez eram o casal do momento em Hollywood, e um projeto envolvendo os dois juntos parecia ser certeza de sucesso e bilheteria gorda. Todos os envolvidos não poderiam estar mais errados. O filme, uma comédia medíocre e fraca, de orçamento inchado principalmente pelo gordo cachê da dupla, fracassou de maneira vergonhosa nas bilheterias, não chegando nem ridiculamente perto de pagar o que custou. O fracasso custou a carreira do diretor, Martin Brest, de ótimos filmes como UM TIRA DA PESADA e PERFUME DE MULHER, que nunca mais deu as caras na indústria do cinema, colocou J-Lo de volta ao que sabia fazer, que era cantar e dançar, e quase afundou também a carreira de Affleck, que sumiu das telas por um tempo. O que ninguém esperava, é que durante este tempo em que ficou afastado, Affleck sabiamente se reciclou, mas não voltou como um astro melhor, mais maduro, mas sim como um diretor de mão cheia! Seu primeiro filme na direção, o suspense dramático MEDO DA VERDADE, onde dirigiu o irmão Casey Affleck em 2007, é excelente e polêmico. Ainda assim, existia a desconfiança da crítica, que comparou seu bom trabalho na direção com seu bom trabalho como roteirista lá atrás, com GÊNIO INDOMÁVEL. Estaria Affleck tendo mais uma vez uma ótima estréia e nada mais? Mas em 2010, aí sim, Affleck calou os críticos, dirigindo o ótimo ATRAÇÃO PERIGOSA, que valeu inclusive uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Jeremy Renner, que interpreta o melhor personagem do filme. ATRAÇÃO PERIGOSA trouxe a confiança da crítica no trabalho de Affleck, que por sua vez, quase três anos depois, voltou a surpreender.

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O que nos traz à este ARGO. O filme, um registro tenso e extremamente bem executado do delicado momento político do Irã no início da década de 80, mostra que Affleck está agora se firmando no terreno de autor, devido principalmente à visível pesquisa de campo realizada por ele, para dar o máximo possível de veracidade à tudo que aconteceu. O filme foca no martírio vivido por um grupo de refugiados americanos, que após a invasão da embaixada americana no Irã por uma multidão enraivecida, se escondem durante meses na casa de um diplomata canadense, e na operação quase suicida de um agente da CIA (Affleck) para tentar extrair os refugiados com vida de volta aos EUA. E fica claro o cuidado e a mão firme de Affleck, para recriar com perfeição os personagens e as situações mostradas na produção, que foi filmada boa parte na Turquia, que serviu de ambientação para replicar o ambiente do Irã. No sólido elenco de apoio, chamam a atenção a presença de Bryan Cranston (do seriado BREAKING BAD); John Goodman, que mais uma vez brilha este ano, onde já tinha se destacado no ótimo O VOO, ao lado de Denzel Washington; o veterano Alan Arkin (vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por PEQUENA MISS SUNSHINE), no papel de um produtor de cinema; e o ainda desconhecido Scoot McNairy, que apareceu para o público no suspense independente MONSTROS, de 2009, e no ano passado esteve muito bem em O HOMEM DA MÁFIA, ao lado de Brad Pitt. Um fato curioso sobre o elenco, é a semelhança dos atores com as pessoas às quais interpretam. O ator John Goodman, por exemplo, é praticamente idêntico ao seu personagem na vida real, o especialista em efeitos especiais, John Chambers. Como sabemos disso? Sabemos graças à uma espertíssima comparação de fotos que mostram a realidade e o que vemos no filme, logo no início dos créditos finais. O filme ganhou os Globos de Ouro de Melhor Filme e Melhor Diretor para Affleck, que inacreditavelmente, não foi sequer indicado ao Oscar de Melhor Diretor, em mais um desses mistérios ridículos que só a Academia consegue explicar. De qualquer maneira, o filme foi indicado para sete estatuetas. ARGO é a comprovação do talento de um ainda jovem cineasta, que refinou seu apuro visual e que sabe lidar com o drama como poucos. E me atrevo a dizer, que graças à sua temática, ARGO é também uma bonita alegoria em homenagem ao cinema, que aqui, neste evento verídico em particular, foi capaz de salvar vidas.

VEJA O TRAILER DO FILME AQUI:

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