BASTARDOS INGLÓRIOS

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9.5Na França ocupada pelos Nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, um plano de um grupo de soldados Judeus Americanos para assassinar Adolf Hitler e seus asseclas, coincide com os planos vingativos da proprietária de um cinema.

Sem dúvida o melhor filme de 2009, que acabou derrotado no Oscar pelo também ótimo suspense dramático GUERRA AO TERROR, BASTARDOS INGLÓRIOS é tido como a obra máxima do gênio Quentin Tarantino. Apesar de não concordar com isso (na minha opinião PULP FICTION: TEMPO DE VIOLÊNCIA ainda é melhor), BASTARDOS INGLÓRIOS é impecável em sua execução. Mistura a ousadia e o estilo visual moderno do diretor, com um tema sério e sólido, a Segunda Guerra Mundial.

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Dividido em cinco segmentos, e contando com poucas e longas sequências, a grande maioria composta por diálogos, BASTARDOS INGLÓRIOS consegue manter a narrativa ágil e surpreendente. Livremente baseada no filme de mesmo nome, do diretor italiano Franco G. Castellari, filmado em 1974, esta nova versão pouquíssimo tem a ver com o original. Bem, dificilmente teria, tendo em vista a visão cinematográfica única de seu diretor e roteirista. O filme, assim como os anteriores KILL BILL Vols. 1 e 2, e o posterior DJANGO LIVRE, é uma homenagem de Tarantino às obras que ele usa como influência direta em seu trabalho. Aqui, mais precisamente, os filmes de guerra italianos dos anos 70 e 80. O que justifica o uso de trechos de trilhas sonoras clássicas de algumas destas produções. O que não impede é claro, que Tarantino use em uma das melhores sequências do filme, a música de David Bowie (!) “Putting Out the Fire”. Mas assim é Tarantino. Uma mistura do novo com o clássico. E aqui, ele mostra que encontrou o equilíbrio exato entre as duas vertentes.

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Em um filme como BASTARDOS INGLÓRIOS, onde os diálogos compões 90% da longa duração do filme (2h e 40mins.), é imprescindível a presença de um elenco que seja mais do que apenas rostos bonitos. É preciso gente de talento. E talento diferenciado. E BASTARDOS INGLÓRIOS funciona tão bem, porque está muito bem representado neste quesito. Começando por seu protagonista, Brad Pitt. Pitt, que há muito tempo deixou de ser simplesmente um astro e se tornou o melhor ator de sua geração, funciona aqui como o alicerce do filme. Seu tempo em cena não é muito longo, mas sua atuação permeia todo o filme. Desde sua introdução, onde faz um inspirado discurso para seu pelotão, passando por sua atuação hilariante enquanto tenta se passar por um italiano durante a sequência que se passa no cinema (aliás, Pitt é ótimo no que diz respeito à sotaques, vide SNATCH: PORCOS E DIAMANTES e INIMIGO ÍNTIMO). No elenco de apoio, todos com participações curtas, porém certeiras, se destacam a bela Mélanie Laurent (NOW YOU SEE ME), no papel da única sobrevivente do massacre de sua família, e que parte em busca de vingança; o também diretor e amigo pessoal de Tarantino, Eli Roth (O ALBERGUE 1 e 2), no papel do “Urso Judeu”, o soldado braço-direito do personagem de Pitt, e que protagoniza uma das melhores cenas do filme, logo no início; o fantástico Michael Fassbender (SHAME, PROMETHEUS), o competente Til Schweiger (ASSASSINOS SUBSTITUTOS), o alemão August Diehl (SALT) e a estonteante Diane Kruger (TRÓIA), dão um show em outra sensacional sequência do filme, durante um jogo de adivinhações em uma taberna, onde impera a tensão e o suspense, até seu desfecho violento e implacável; Daniel Brühl (INTRUSOS) no papel de um herói de guerra alemão, Sylvester Groth (O LEITOR) no papel do principal homem de Hitler, Joseph Goebbels , e Martin Wuttke (A VIAGEM) no papel de Hitler em pessoa, também se destacam. Mas o grande destaque do filme, seu maior trunfo, está na presença do espetacular ator austríaco, Christoph Waltz (O DEUS DA CARNIFICINA e DJANGO LIVRE, onde repete a parceria com Tarantino). Até BASTARDOS INGLÓRIOS, Waltz era um esforçado ator de teatro e televisão europeu, mas ao ser “descoberto” por Tarantino (mais uma de suas espetaculares descobertas) e escalado para interpretar o astuto, sarcástico, sádico e verborrágico coronel alemão Hans Landa, mais conhecido como o “Caçador de Judeus” no filme, Waltz explodiu em Hollywood, e finalmente teve o reconhecimento que seu gigantesco talento merece. Aqui, Waltz domina o show, roubando cada cena em que aparece. Me atrevo a dizer que sua atuação como coadjuvante só é equiparável à de Heath Ledger em BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, e me atrevo ainda mais ao afirmar que não Pitt, mas Waltz, é o verdadeiro protagonista do filme. Reparem em sua cena inicial do filme, o prólogo, em que contracena com outro fantástico ator europeu, o francês Denis Ménochet (ROBIN HOOD, HANNIBAL: A ORIGEM DO MAL). Com quase vinte minutos de duração, a cena é um deleite cinematográfico, em que Waltz nos brinda com algo nunca antes visto no cinema, com uma interpretação que beira o sobrenatural. BASTARDOS INGLÓRIOS, seja por seus fenomenais diretor e elenco, seja pelo suspense atordoante em cada uma de suas magníficas sequências, ou até pelo seu final surpreendente, irônico e totalmente absurdo, é mais uma obra-prima de um cineasta mil anos à frente de seu tempo. E nós achando que éramos modernos…

VEJA AQUI O TRAILER DO FILME:

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