O PREÇO DO AMANHÃ

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6.0Em um futuro onde as pessoas param de envelhecer aos 25 anos de idade, mas que são geneticamente modificadas para viver apenas mais um ano, ter os meios para comprar seu passaporte para sair desta situação é almejar a juventude eterna. Neste estranho futuro, Will Salas (Justin Timberlake) é acusado de assassinato e foge fazendo uma refém (Amanda Seyfried). Ela própria, uma conexão que se torna parte importante da luta contra o sistema.

Sempre fui um apreciador do cinema do roteirista e diretor Andrew Niccol. Quase sempre flertando com o gênero da ficção-científica, Niccol é capaz de ótimos filmes como GATTACA: A EXPERIÊNCIA GENÉTICA (1997), seu primeiro filme, e O SENHOR DAS ARMAS (2005), na minha opinião, um dos melhores filmes da carreira de Nicolas Cage. Mas Niccol também é capaz de bobagens como SIMONE (2002), em que ele e Al Pacino levam um baile do roteiro fraco, e também este O PREÇO DO AMANHÃ, em que é preciso engolir sua premissa absurda para tentar apreciar o pouco a mais que o filme tem a oferecer. Basicamente, toda a premissa de O PREÇO DO AMANHÃ se resume à frase “Tempo é Dinheiro”. Ao invés de dólares na conta-corrente, no futuro imaginado por Niccol, o cidadão tem minutos em um contador digital colocado por sob a pele, no antebraço. Para enxergar quanto tempo lhe resta, é como se o cidadão olhasse no relógio. Esse tempo, esse “relógio”, que conta de maneira decrescente, na população pobre, está sempre com um tempo inferior a um dia. O cidadão acorda com umas, sei lá, 17, 18 horas de vida em seu relógio, trabalha 8 horas, e ao final do expediente, recebe seu “salário” em forma de mais tempo em seu contador. Agora eu pergunto: Se o cidadão passar mal e não puder trabalhar, e aí? O que acontece com o infeliz? O mais absurdo desta idéia, se esconde no outro lado da moeda: Se os mais pobres tem apenas horas de vida em seu contador, e os mais ricos? Os milionários? Pois é, como bem elucida o filme, quem é rico, milionário, é também IMORTAL (!!!) Eu sei… É cinema, é fantasia, é ficção. Mas o problema com essa premissa, é que ao mesmo tempo em que é de fato original, é também muito apelativa. Numa sequência específica, uma das personagens morre por apenas UM SEGUNDO de atraso no momento de recarregar seu relógio de vida. Acho que Niccol quis passar a mensagem de “aproveite seu tempo” ou “valorize os minutos que você tem”, etc… Mas convenhamos, existem maneiras mais discretas e menos apelativas de fazer isso.

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O PREÇO DO AMANHÃ em certos aspectos se assemelha bastante ao inteligente primeiro filme de Niccol, GATTACA: A EXPERIÊNCIA GENÉTICA. Se lá o futuro discriminava os indivíduos antes mesmo da concepção no caso do DNA dos pais não serem perfeitos, aqui os discriminados são os “sem tempo” vamos dizer assim. Quem nasce pobre, morrerá pobre. Lá quem nascia “imperfeito”, morreria imperfeito, sem nenhuma esperança de reverter o quadro. Em ambos os filme também há o movimento de repúdio ao sistema, e a luta de um ou dois indivíduos para combater e expôr os erros do mesmo. Aqui, quem está encarregado desta missão é o carismático Justin Timberlake (CURVAS DA VIDA), que apesar de algumas tiradas desnecessárias de seu personagem, já tem cacife para segurar um filme sozinho. Ao seu lado, a bela Amanda Seyfried (OS MISERÁVEIS, GAROTA INFERNAL), que apesar de se esforçar para ter mais peso na trama, não consegue evitar que sua personagem funcione apenas como colírio para os olhos masculinos do público. Há ainda a presença do bom e macabro Cillian Murphy (EXTERMÍNIO, BATMAN BEGINS), no papel de um “guardião do tempo”, uma espécie de polícia neste futuro. Existem mais dois pontos que me incomodam um pouco no filme: O primeiro, é que como nenhum dos personagens podem aparentar ter mais de 25 anos, toda a relação pai/filho, mãe/filha, etc, acaba soando mais esquisita do que interessante. Por exemplo, a bela Olivia Wilde (ALPHA DOG, COWBOYS & ALIENS) interpreta a mãe de Timberlake no filme. Mas é mais nova do que ele na vida real. Pois é… Outro ponto, é que se a humanidade avançou tanto em tecnologia à ponto de alcançar a imortalidade, porque então continuam usando automóveis, e particularmente, automóveis que parecem carros usados nos anos 70, apenas com algumas modificações na lataria e no ronco do motor para “parecerem do futuro”? Andrew Niccol gosta de falar sobre imperfeições em suas obras. Mas é justamente esse número elevado de imperfeições na concepção de O PREÇO DO AMANHÃ, que faz com que o filme perca totalmente sua credibilidade.

VEJA O TRAILER DO FILME AQUI:

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