PERFUME DE MULHER

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9.5Um estudante de uma conceituada escola preparatória (Chris O’Donnell) aceita o trabalho de “cuidar” de um homem cego (Al Pacino) durante o feriado de Ação de Graças, mas o trabalho acaba não sendo bem o que ele esperava.

Baseado no livro do escritor italiano Giovanni Arpino, PERFUME DE MULHER é também uma refilmagem do filme homônimo de 1974, também produzido na Itália, com direção de Dino Risi e com Vittorio Gassman (SLEEPERS: A VINGANÇA ADORMECIDA) no papel principal. Não que a versão de 74 também não seja muito boa e Gassman no papel principal fique devendo. Mas é que esta versão, com direção de Martin Brest (UM TIRA DA PESADA, FUGA À MEIA-NOITE), e a interpretação do monstro Al Pacino no papel principal, é boa demais! PERFUME DE MULHER é um dos poucos casos onde o remake é superior ao original. Claro que muito do sucesso de público e crítica do filme se deve à interpretação inacreditável de Al Pacino. Pacino, que fora roubado do Oscar de Melhor Ator em diversas oportunidades, principalmente se considerarmos as atrocidades da Academia em não premiá-lo em nenhum dos três filmes da saga O PODEROSO CHEFÃO, aqui toma o Oscar mais do que merecido para si, de maneira indiscutível. No papel do Tenente-Coronel Frank Slade, aposentado devido à cegueira após um acidente militar, Pacino destila uma quantidade enorme de cinismo, improvisações, e até maldade, num personagem que transita do odiável ao querido, como uma Ferrari vai de 0 a 100KM/H. Em PERFUME DE MULHER, não é o filme que dá o tom ao personagem, e sim o personagem que dita o ritmo do filme. O então jovem Chris O’Donnell (o Robin de BATMAN ETERNAMENTE e BATMAN & ROBIN) faz um bom contraponto com o personagem de Pacino, funcionando com uma espécie de freio para seu companheiro de tela. Mas O’Donnell é engolido pela presença gigantesca de Pacino no filme, inevitavelmente. Entre tantas cenas inesquecíveis, está a tão famosa cena do tango, em que Pacino, cego como um morcego no filme, dá um show de interpretação ao bailar o tango com uma moça que ele acabara de conhecer em um restaurante, a bela Gabrielle Anwar (OS TRÊS MOSQUETEIROS), que após o breve sucesso no início da década de 90, sumiu do mapa. Esta cena do tango se tornou célebre, e é um daqueles momentos que vão além de qualquer análise ou debate. A cena está ali, simples, apenas um casal dançando o tango ao som de “Por uma Cabeza”, de Carlos Gardel. Mas inserida no contexto do filme, é simplesmente perfeita. Reparem na concentração, no foco e nos movimentos corporais de Pacino, que baila não como um ator interpretando um cego, mas como um cego de verdade. É assim durante todo o filme. É uma coisa tão natural, que por vezes realmente esquecemos que é Al Pacino ali, e não um personagem realmente cego. A trilha sonora incidental, do grande Thomas Newman emociona, assim como muitas sequências deste grande filme. Gosto particularmente da inversão de valores no final do filme, em que de repente, não é mais o cego quem precisa de alguma proteção (reparem na presença de um Philip Seymour Hoffman ainda adolescente!) e sim o rapaz, que desde o começo, sabemos que está em apuros, mais do que ele próprio imagina. Às vezes, o pior cego não é aquele que não pode ver, mas sim aquele que não quer ver. PERFUME DE MULHER, assim como a interpretação monstruosa de Pacino, e sua antológica cena do tango, entre tantas outras, é inesquecível.

Um fato curioso, e ao mesmo tempo um tanto quanto triste: O diretor do filme, Martin Brest, que além dos ótimos filmes citados logo no início desta crítica, dirigiu também o bom ENCONTRO MARCADO, alguns anos depois, em 2003, dirigiu, escreveu e produziu uma famigerada bomba: GIGLI: CONTATO DE RISCO, com o casal do momento da época, Ben Affleck e Jennifer Lopez (Pacino faz inclusive uma participação especial). GIGLI foi um desastroso fracasso de público e crítica, afundando a carreira de Affleck como ator (espertamente ele ressurgiu como diretor, e dos bons) e a de Jennifer Lopez como atriz (Lopez agora se restringe a fazer o que sabe: dançar). Para se ter uma idéia, os dois salários de Affleck e Lopez juntos, somam o triplo do valor do faturamento nas bilheterias que GIGLI obteve. O filme ainda levou o prêmio em todas as categorias do FRAMBOESA DE OURO, O Oscar dos filmes ruins. Mas quem pagou o pato mais caro, foi mesmo Brest, que desde 2003, sumiu do planeta. Brest nunca mais se envolveu em NADA no mundo cinematográfico. Uma pena, visto que até Francis Ford Copolla já dirigiu filmes ruins.

VEJA O TRAILER DO FILME AQUI:

E VEJA AQUI A ANTOLÓGICA “SEQUÊNCIA DO TANGO”, UMA DAS SEQUÊNCIAS MAIS CÉLEBRES DA HISTÓRIA DO CINEMA.

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3 respostas para PERFUME DE MULHER

  1. Anônimo disse:

    Há uns dez dias atrás reví esse filme… Indiscutivelmente, bárbaro!!!

  2. Carlos disse:

    Nossa, fazia tempo que não via essa cena da dança.
    Realmente é uma das cenas antológicas do cinema!

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