A VIAGEM

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Tudo está conectado: O diário de bordo de uma embarcação que cruza o Oceano Pacífico em 1849; cartas de um compositor para seu amigo distante; um mistério sobre um assassinato em uma usina nuclear; uma farsa sobre um editor preso contra a própria vontade em um asilo; um clone que se rebela em uma Coréia futurista; e o conto de uma tribo vivendo em um Havaí pós-apocalíptico, em um futuro distante.

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Conexões. A VIAGEM tenta ser um filme sobre conexões. Conexões que ligam diferentes períodos de tempo. Até diferentes encarnações de uma mesma alma. Entender bem uma conexão é algo que de alguma maneira, realiza o espírito humano. E é justamente por isso que A VIAGEM é tão frustrante: É um filme que tenta fazer valer suas conexões, mas acaba sendo apenas um mosaico de diferentes histórias. E suas conexões, são simplesmente fracas demais. Como cinema, como produção, A VIAGEM é impecável. Tecnicamente é um filme tão bem arquitetado, que por mais maçante que suas quase três horas de projeção sejam, não é justo chamá-lo de um filme ruim. A direção à seis mãos de Andy e Lana Wachowski (responsáveis pela trilogia MATRIX) e de Tom Tykwer (CORRA LOLA CORRA) é caprichosa e segura. Alguns detalhes na produção do filme são realmente fascinantes. Dividido em seis diferentes atos, ou períodos de tempo se você preferir, A VIAGEM exigia um roteiro impecável, e por incrível que pareça, mesmo com os Wachowski e Tykwer conseguindo essa façanha, o filme simplesmente não funciona como um todo. Quando os primeiros rumores sobre uma adaptação do livro Cloud Atlas, do escritor David Mitchell, no qual A VIAGEM se baseia surgiram, o consenso foi de que seria uma tarefa impossível de ser realizada. E de fato, acho que o consenso estava correto.

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A VIAGEM não passa uma impressão de unidade de seus conjuntos. Seus seis atos são distribuídos de maneira atabalhoada e por isso mesmo, enfraquecem ainda mais suas já parcas conexões. Destes seis atos, alguns funcionam, como o ambientado em uma embarcação em 1849, onde a relação entre um escravo e seu dono é bem explorada; o ato que se passa em uma Coréia futurista povoada por clones também é bem conduzido e oferece os melhores deleites visuais do filme (onde é possível perceber a mão dos Wachowski em seu melhor estilo MATRIX); e até o ato principal do filme, que se passa em um Havaí pós-apocalíptico ainda mais distante no futuro, funciona em sua maior fatia de tempo, mesmo que o resultado não seja dos melhores. Porém, os outros atos do filme, curiosamente os que são mais conservadores em matéria de localização no tempo/espaço, são difíceis de engolir. Especialmente o que aborda uma conspiração em uma usina nuclear. Em alguns momentos, esta história chega a ser insuportável, e tem-se a distinta impressão de que chega um momento em que não dá nem para entender ou acompanhar mais o que estamos assistindo exatamente. Tamanho o cansaço e confusão que A VIAGEM proporciona em alguns momentos. A história do editor que é internado contra a própria vontade em um lar para idosos nos tempos atuais, simplesmente não se encaixa com nada ao seu redor. Aí eu pergunto: Onde estão as tais conexões?

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Agora, um ponto que realmente está a favor de A VIAGEM é seu espetacular elenco. O núcleo central, composto do astro Tom Hanks, e de Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadbent (GANGUES DE NOVA YORK, A DAMA DE FERRO), Hugo Weaving, Jim Sturgess (CAMINHO DA LIBERDADE, QUEBRANDO A BANCA), Doona Bae (O HOSPEDEIRO, MR. VINGANÇA), Ben Whishaw (PERFUME: A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO, 007: OPERAÇÃO SKYFALL) e James D’Arcy (MESTRE DOS MARES: O LADO MAIS DISTANTE DO MUNDO, HITCHCOCK) está realmente sensacional. Um ponto crucial envolvendo A VIAGEM e seu fenomenal elenco, é a multi-interpretação por parte dos artistas. Cada um dos citados acima, interpreta pelo menos QUATRO diferentes personagens. Tom Hanks, por exemplo, interpreta SEIS! A maioria, com quilos e quilos de pesada maquiagem, que aproveitando, também foi utilizada de maneira sensacional, com apenas alguns percalços aqui e ali, como por exemplo, quando tentaram transformar Halle Berry em uma mulher branca, e Hugo Weaving em um personagem oriental. Este artifício, além de trazer originalidade ao filme, (tudo bem que Eddie Murphy vive fazendo isso, mas nem de perto com esse profissionalismo) ajuda a passar a “mensagem” do filme: Que tudo está conectado, que tudo é cíclico, como as encarnações, almas gêmeas, etc… Me chamou a atenção também um belo trecho da trilha-sonora, cuja “criação” nós acompanhamos dentro de um dos atos do filme. O trecho, chamado de “SEXTETO CLOUD ATLAS”, também ajuda no artifício de interligar algumas das histórias e eventos do filme, mas é claro, sem ser bem sucedido por completo. Conexões. A VIAGEM comete um grande erro ao se apegar à elas, quando na verdade, poderia se apegar melhor às histórias que tenta contar. Poderia confiar mais em seus intérpretes do que em alguma surpresa tipo “Deus Ex-Machina” que possa “conectar” todos seus núcleos de repente. Segundo o próprio slogan do filme, TUDO ESTÁ CONECTADO. Nem tudo, meus amigos. Nem tudo. MÉTRICA: 6.0.

VEJA O EXCLUSIVO TRAILER DE 6 MINUTOS DO FILME AQUI:

http://www.youtube.com/watch?v=73ZIzZfpqlo

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