DJANGO LIVRE

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Com a ajuda do caçador de recompensas alemão, Dr. King Schultz (Christoph Waltz), Django (Jamie Foxx), um escravo libertado, parte em uma missão para resgatar sua esposa Broomhilda (Kerry Washington) das mãos de Calvin Candie (Leonardo Di Caprio), um brutal fazendeiro do Mississipi.

DJANGO LIVRE tem sido aclamado como o melhor filme do genial diretor e roteirista Quentin Tarantino. Não é. A obra-prima PULP FICTION: TEMPO DE VIOLÊNCIA e seu filme anterior, BASTARDOS INGLÓRIOS, são superiores. Mas por pouco. DJANGO LIVRE é mais um filme excepcionalmente acima da média deste fantástico e criativo cineasta, que nos surpreende cada vez mais com suas obras originais e cheias de referências aos clássicos do cinema. Se com KILL BILL Vols. 1 e 2, ele homenageou os filmes de artes marciais dos anos 70, e com BASTARDOS INGLÓRIOS, Tarantino homenageou os filmes de guerra do mesmo período, com DJANGO ele homenageia o gênero Western, também se embebendo em referências das obras dos anos 70, mais precisamente dos Westerns Spaghetti, em que brilharam Franco Nero, Terrence Hill, Bud Spencer, entre outros. Franco Nero inclusive faz uma participação especial muito bacana no filme, o que acaba sendo uma bonita homenagem de Tarantino ao intérprete original do pistoleiro Django. As homenagens não páram por aí. Tarantino utiliza trechos de orquestra e canções compostas pelo maestro dos clássicos do Western Ennio Morricone, e como sempre, estiliza sua obra com truques e tomadas de câmera bem ao estilo anos 70.

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9.0Mas, mesmo com bastante ousadia, bem ao estilo de sempre de Tarantino, percebi que de certa forma, DJANGO LIVRE é um trabalho um pouco mais conservador do cineasta. Apesar de manter o tom jocoso de BASTARDOS INGLÓRIOS por exemplo, o tom é um pouco mais leve. Há por exemplo, algo inédito nos filmes do cineasta: Tomadas com bela e ampla fotografia. Uma sequência em particular, onde os personagens de Django e do Dr. Schultz cavalgam pelo Oeste durante o inverno, com as montanhas nevadas ao fundo, e ao som da canção “I Got a Name” de Jim Croce, é belíssima. E obtém um resultado emocionante como nunca houve antes em algum filme de Tarantino. Mas não pensem que por isso Tarantino não imprime seu estilo durante toda a produção. Em determinados momentos do filme, principalmente durante os tiroteios, o sangue jorra estilo KILL BILL, mas em quantidades ainda maiores, e durante uma das sequências de ação, um RAP(!) do rapper Jay-Z é utilizado na trilha-sonora. É exatamente esta mescla sempre flertando com o absurdo que faz o cinema de Tarantino tão diferente, e a experiência de assistir aos seus filmes, tão única e especial. Não é à toa que cada vez mais os astros de Hollywood se oferecem para trabalhar com ele. Se em BASTARDOS INGLÓRIOS Brad Pitt foi o protagonista, desta vez, brilham o astro Leonardo Di Caprio, no papel de um sádico e brutal proprietário de escravos e o vencedor do Oscar Jamie Foxx, no papel de Django. Apesar de Foxx trazer uma performance competente como sempre, Di Caprio e, novamente, o espetacular Christoph Waltz (vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação inacreditável como o temido coronel alemão Hans Landa em BASTARDOS INGLÓRIOS), mais uma vez atuando como coadjuvante rouba-cena em um filme de Tarantino, e mais uma vez interpretando um alemão eloquente, roubam cada cena de que participam. Reparem em toda a sequência que se passa durante o fatídico jantar no terço final do filme. Cada diálogo, cada nuance, cada atitude exagerada dos envolvidos, é puro Tarantino. É puro cinema. O colaborador habitual de Tarantino, Samuel L. Jackson, também brilha vivendo um personagem pelo menos 30 anos mais velho, e Kerry Washington (RAY), Don Johnson (do seriado MIAMI VICE), e o próprio Tarantino, entre outros, todos compõem personagens bem ao estilo do diretor, onde brilham as performances exageradas de propósito e os longos e sempre jocosos diálogos. DJANGO LIVRE é mais um produto original e poderoso de um cineasta que não tem medo de ousar ou errar. Quando erra, o que é raro, Tarantino erra feio. Mas à cada vez que acerta, o que acontece muito, Tarantino cria um novo clássico.

VEJA AQUI O TRAILER DO FILME:

OUÇA AQUI A CANÇÃO-TEMA DO FILME, “DJANGO MAIN THEME”, INTERPRETADA POR YVES BACALOV:

E OUÇA AQUI A CANÇÃO “100 BLACK COFFINS”, PARTE DA TRILHA-SONORA DO FILME, INTERPRETADA POR RICK ROSS:

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